As possibilidades da palavra escrita, da leitura em voz alta e do design gráfico como ferramentas de expressividade performativa são o ponto de partida do espetáculo “Como desenhar uma filha nua”, de Jorge Palinhos e da companhia Visões Úteis, que se apresenta no próximo dia 26 de junho, às 21h30, no Teatro Aveirense.
Para esta sua nova criação, Jorge Palinhos declara ter-se inspirado nos clubes de leitura e no ato profissional de ler relatórios em grupo, procurando recuperar essa prática e compreender o seu potencial para a palavra escrita poder mover um grupo de pessoas. Assume, desse modo, a palavra escrita no seu contexto gráfico, em que a página se torna o palco da ação, em articulação com o palco do encontro em que decorre a leitura.
Deste modo, o projeto apresenta-se como uma leitura comum, dirigida por uma intérprete, que vai conduzindo os espectadores/leitores ao longo de uma obra gráfica e ficcional criada para o efeito, de forma a que as dinâmicas de grupo e de leitura interajam para gerar a cumplicidade e a comoção.
Este objeto livro centra-se na biografia de um artista, de forma a explorar uma visão linear da vida humana que possa desvendar a sua complexidade multidimensional. Abordando deste modo a questão delicada entre a arte e a vida, e a forma ambígua, controversa, como os dados biográficos de um artista podem inspirar, complexificar ou macular a sua obra artística.
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